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Truques para ganhar dinheiro no casino

“Fraude” em jogos de azar é tão antigo quanto os próprios jogos de casino: desde que surgiram as primeiras casas, as histórias de tentativas de levar melhor vantagem sobre elas não são nada escassas.

Com a explosão da indústria do jogo, que só nos EUA arrecada US$ 34 bilhões por ano, as apostas também aumentaram. Roubar no jogo, que antes era apenas uma questão de esperteza, agora virou uma verdadeira ciência – com direito a conceitos de física, equipamentos de última geração e teorias matemáticas complexas.

Ao que tudo indica, tudo data para o ano de 1961, quando um professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Edward Thorp, decide estudar o jogo de cartas Blackjack, que no Brasil se chama vinte-e-um. Basicamente é jogado contra o casino e tem como finalidade os jogadores terem a soma mais próxima do número 21 – aí ganham. A cada rodada, os jogadores mostram as suas cartas e ao memorizá-las, pode-se deduzir quais ainda estão por vir – e foi aqui que Thorp viu a oportunidade de descodificar a lógica do blackjack.

E de que forma é que o fez? Criou um sistema de probabilidades, que testou num supercomputador da IBM, e também na prática, visitando mais de 80 casinos na região de Las Vegas. Toda esta pesquisa e experiência levou-o a uma descoberta fantástica: quanto mais cartas altas restarem no baralho, maior era a chance do apostador ganhar. Tendo isto em consideração e realizar a aposta na altura certa, seria possível levar uma vantagem de até 3,29% sobre o casino.

No entanto, a certa altura, os casinos começaram a desconfiar, uma vez que o jogador ficava muito tempo a fazer apostas baixas para chegar ao momento de colocar muito dinheiro na mesa.

E se a vantagem de 3,29% sobre o casino passasse para 40%? Foi o que um grupo de alunos de matemática do MIT prometeu com uma nova versão do golpe. Desta vez, a tática era feita em grupo e com teorias matemáticas ainda mais sofisticadas.

Passava-se mais ou menos assim: entravam nos casinos disfarçados e separados, como se não se conhecessem. Um deles dirigia-se à mesa e começava a jogar com apostas baixas e memorizava a sequência de cartas que iam aparecendo na mesa. Quando achava o momento propício para apostar, fazia um gesto banal, como coçar a orelha.

Era altura de um segundo elemento entrar em ação, cuja função seria apostar alto para ganhar o máximo em cima do casino. Consta-se que a turma conseguia lucrar até US$ 400 mil a cada fim-de-semana, o que acabou por despertar a atenção dos casinos.

Na época era tudo calculado de cabeça, o que não acontece agora. Graças a um computador portátil, as contas necessárias ao golpe são feitas muito mais rapidamente.

A par dos génios do MIT, Dominic LoRiggio, conhecido por Dominador, também tentou levar vantagem no jogo. Dono de uma pequena empresa de softwares, LoRiggio frequentava casinos de Atlantic City aos fins-de-semana para jogar blackjack. E há um dia que a mesa de dados chama a sua atenção por se aperceber que nem todas as pessoas atiravam os dados da mesma forma. Por curiosidade, ingressou num curso de US$ 500 dado por Chris Paulick, engenheiro que havia estudado a física da coisa. E acabou por descobrir que, na prática, realmente funcionava.

Treinou durante meses e aumentou significativamente as chances de vitória ao ponto de reverter a vantagem do casino no jogo de dados.

“Como em qualquer desporto, controlar os dados é uma combinação de técnica e disciplina mental. Qualquer pessoa pode ficar boa o suficiente”, diz Dominador.

A técnica consiste em posicionar os dados antes de jogá-los e fazer o lançamento num ângulo definido.

Pode parecer difícil de acreditar, mas não faltam exemplos que comprovam a eficácia da física newtoniana nos casinos. Inclusive num dos jogos mais imprevisíveis: a roleta. Quem se lembra daquelas equações que se aprende na escola, que usam a posição, a velocidade e a aceleração de um corpo para calcular onde ele vai estar daqui a um determinado tempo? Pois é. Aplicando uma versão um pouco mais complexa dessa fórmula à roleta, é possível estimar em que número a bolinha vai parar. Ou melhor: existe um computador portátil, que custa cerca de R$ 32 mil, que se encarrega da tarefa.

Até no poker, que é um jogo extremamente complexo (tem mais de 2,5 milhões de combinações possíveis de cartas e o bluff, um elemento impossível de calcular), os golpistas high tech já descobriram uma forma de levar vantagem. A tática é banal: marcar as cartas. Mas, com alta tecnologia. Enquanto os velhos batoteiros usavam unhas e anéis, hoje em dia a moda é a tinta invisível, que só pode ser vista usando óculos, lentes de contato ou câmaras de vídeo especiais. O kit básico, que inclui tinta suficiente para marcar 40 baralhos e um par de óculos especiais, custa por volta dos US$ 300.

Confere a lista de técnicas mais usadas nos próximos artigos.

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